Importações caem 13,5% devido à menor oferta da Rússia, enquanto refinarias aumentam utilização

Oferta de diesel entre janeiro e setembro somou 45,4 milhões de m³, com mudança na composição: menos importação e mais produção nacional
A oferta de diesel no Brasil entre janeiro e setembro somou 45,4 milhões de m³, estável frente aos 45,6 milhões observados em 2025, mas com composição alterada: menos importação e mais produção nacional, segundo levantamento da área de Inteligência de Mercado da StoneX.
As importações recuaram para 10,9 milhões de m³ (-13,5% a.a.), reflexo principalmente da menor oferta pela Rússia, que caiu de 6,9 para 5,0 milhões de m³ (-28%). Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos compensaram apenas parcialmente essa redução, com alta conjunta de cerca de 0,9 milhão de m³, conforme apontado pela StoneX.
Em sentido oposto, a produção interna de diesel avançou 4,5%, para 34,5 milhões de m³, sustentada pelo maior FUT (fator de utilização total, que é o volume de petróleo efetivamente processado em relação à capacidade máxima) das refinarias brasileiras. A Replan elevou o índice em 21%, a Rnest em 60% e a Refap em 14%.
O balanço acumulado de 2026 foi positivo ao longo do primeiro semestre, com pico de cerca de 837 mil m³ em maio. A partir de junho, entretanto, o indicador passou a se inverter, encerrando setembro em déficit de 961 mil m³, conforme indicou a consultoria.
“Parte desse recuo é explicado pela menor oferta do produto importado e pelo fato de que, sazonalmente, as vendas crescem no segundo semestre, com os preparativos para a safra de soja culminando nesse cenário”, informou a StoneX.
A consultoria afirmou que não se espera uma falta sistêmica de produto. “O risco está concentrado em restrições localizadas e temporárias nas regiões com maior déficit de oferta, como Centro-Oeste e Norte, mais dependentes de transferências e do escoamento logístico em períodos de demanda aquecida.”
A projeção de diesel B para 2026 foi mantida em 70,6 milhões de m³ (+1,6% a.a.), com diesel A em 60,3 milhões (+0,9%) e biodiesel em 10,3 milhões (+5,6%), segundo a StoneX. As principais revisões para cima vieram do Centro-Oeste, com 10,7 milhões de m³ (+2,0%) puxado pelo Mato Grosso (+4,4%), e do Nordeste, com 11,4 milhões (+2,2%), com destaque para o Ceará (+7,0%).



