Alberta realiza votação sobre separação do país no mesmo momento que Estados Unidos ampliam guerra comercial contra Ottawa

População de Alberta vai às urnas nesta segunda-feira (19) para decidir sobre separação do Canadá em meio a tensões com os EUA
A população da província canadense de Alberta vai às urnas nesta segunda-feira (19) para se posicionar sobre dez questões, entre elas se a região deve permanecer canadense ou se o governo provincial deve tomar medidas para realizar um referendo vinculativo sobre a separação do Canadá.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney (Partido Liberal), sugeriu durante comício em Calgary na quinta-feira (15) que os Estados Unidos estão por trás das tentativas de separação de Alberta. “Muita coisa está em jogo. Este referendo ocorre no pior momento possível. O mundo tornou-se mais perigoso e dividido”, disse Carney. “Há pessoas fora de nossas fronteiras trabalhando para nos fragmentar, para que sejam nossos donos.”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a falar em anexar o Canadá durante comício no Arizona para as eleições de meio de mandato presidencial, marcadas para 3 de novembro. Trump afirmou que o país vizinho “acabará se tornando o 51º estado americano, porque é a única maneira de funcionar”.
A votação em Alberta ocorre em meio à expansão da guerra comercial entre os EUA e o Canadá. Em agosto, a gestão Trump aplicou novas tarifas sobre produtos canadenses. Em resposta, o governo Carney implementou em setembro sobretaxas de até 50% sobre produtos americanos que representam cerca de US$ 20 bilhões de importações anuais, o mesmo patamar das tarifas impostas por Washington em agosto.
Carney sinalizou em setembro que poderia aceitar um convite para o Canadá se tornar membro associado da União Europeia. Trump respondeu que poderia aplicar novas tarifas contra o país vizinho e o bloco europeu caso tal parceria se concretize.
Neste mês, Carney afirmou que seu governo estava monitorando alegações de interferência externa no referendo de Alberta. Anton Boegman, comissário do Canadá para a Influência Estrangeira, disse que seu gabinete entrou em contato com dezenas de pessoas e grupos envolvidos na consulta.
Apesar das alegações de Carney, a percepção de que os Estados Unidos tentam interferir no processo não é unânime dentro do Partido Liberal. O deputado liberal por Alberta, Corey Hogan, afirmou estar de modo geral satisfeito por não haver uma grande pressão relacionada ao referendo.



