Votos de legenda caem para menor patamar desde 1998 nas eleições de 2026

Escolha direta pelos partidos somou 10,7 milhões de votos, representando 4,73% dos válidos. Redução de 45,2% em relação a 1998.

Votos de legenda caem para menor patamar desde 1998 nas eleições de 2026
Urna eletrônica utilizada no primeiro turno de 2026. Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE — Foto: Urna Eletrônica  • Roberto Jayme/Ascom/TSE

Os votos de legenda somaram 10.702.467 no primeiro turno das eleições 2026, menor número desde 1998. A proporção caiu para 4,73% dos válidos.

Os votos de legenda no primeiro turno das eleições 2026 somaram 10.702.467, o menor número desde o início da série histórica em 1998, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A escolha direta pelos partidos representou 4,73% dos 226.417.160 votos válidos para deputado federal, estadual e distrital, também a menor proporção das oito eleições analisadas.

Em relação a 2022, o total caiu quase 10%, embora a quantidade de votos válidos tenha aumentado. Na comparação com 1998, quando a modalidade representava 14,44% dos válidos, a redução no número de votos foi de 45,2%.

O voto de legenda é registrado quando o eleitor digita apenas os dois números do partido e confirma, sem escolher um candidato específico. Trata-se de um voto válido que, somado aos votos nominais, ajuda a definir quantas cadeiras o partido ou a federação conquistará. O voto em um candidato, por sua vez, contribui tanto para sua classificação individual quanto para o desempenho coletivo da legenda.

A série histórica mostra queda consistente: em 1998 foram 19.544.203 votos de legenda (14,44% dos válidos); em 2002 totalizou 20.209.962 (11,55%); em 2006 chegou a 21.258.972 (11,33%); em 2010 foram 20.407.894 (10,33%); em 2014 atingiu 18.501.282 (9,42%); em 2018 recuou para 15.530.355 (7,90%); em 2022 caiu para 11.887.865 (5,46%); até chegar aos 10.702.467 (4,73%) de 2026.

Segundo Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, organização apartidária que avalia deputados federais e senadores, os números refletem uma política mais personalizada. Ele associa o movimento à fragilidade da identificação partidária e às redes sociais, que permitem às lideranças construir vínculos diretos com o eleitorado.

“O que está enfraquecendo não é necessariamente o partido como instrumento de poder, mas o partido como referência de identidade para o eleitor. E essa diferença é fundamental para compreender o que está acontecendo”, afirma Arruda.

Arruda cita Erika Hilton (PSOL) e Nikolas Ferreira (PL) para demonstrar que o fenômeno atravessa campos ideológicos diferentes. “É positivo quando o eleitor acompanha o trabalho do parlamentar, conhece suas posições e toma uma decisão consciente”, pondera. Contudo, faz ressalva: “Ter milhões de seguidores ou receber uma votação extraordinária não significa, necessariamente, exercer um bom mandato”.

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