Alimentação no domicílio subiu 0,96% em setembro, revertendo deflação de três meses anteriores, enquanto fenômeno climático deve se intensificar até primeiro trimestre de 2027

Alimentação no domicílio subiu 0,96% em setembro, com El Niño previsto até primeiro trimestre de 2027. Analistas esperam alta maior em outubro.
O alívio nos preços dos alimentos perdeu força em setembro, e o brasileiro pode chegar ao fim de 2026 com a cesta básica mais cara. De acordo com o IBGE, a alimentação no domicílio subiu 0,96% em setembro, interrompendo três meses consecutivos de deflação. O grupo Alimentação e bebidas avançou 0,83%, contribuindo com 0,18 ponto percentual para a inflação geral de 0,82%. Em 12 meses, o índice acumulou alta de 4,58%, acima do teto de 4,50% da meta.
Especialistas alertam para a combinação entre riscos climáticos e pressões sazonais. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que o El Niño deve se intensificar entre a primavera e o verão, persistindo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. O fenômeno pode alterar padrões de chuva e temperatura durante etapas importantes da produção agrícola.
Segundo Luis Otávio Leal, analista da G5 Partners, as chuvas registradas em setembro no Sul e no Sudeste podem ter contribuído para a reversão dos preços, especialmente entre produtos frescos, como tomate, batata-inglesa e cebola. “São alimentos mais sensíveis às condições meteorológicas”, explicou o analista. Mudanças na oferta desses produtos podem provocar oscilações rápidas nos preços e dificultar a antecipação do resultado da inflação.
A pressão também começa a aparecer nas carnes. Leal destacou que, depois de comportamento favorável, os preços voltaram a subir e tendem a sofrer influência da sazonalidade no fim do ano. O movimento pode se somar às dificuldades climáticas e manter a alimentação como um dos principais pontos de atenção para o orçamento das famílias.
Para outubro, Leal espera uma alta da alimentação maior do que a registrada em setembro, embora haja incerteza sobre a intensidade desse avanço. O resultado refletirá as pressões climáticas e sazonais que devem acompanhar o Brasil até o encerramento do ano.



