Na China, elétricos com três anos perderam 4% de valor entre 2024 e 2025, enquanto buscas por esses veículos crescem 250% no país

Experiências de mercados como China, Europa e EUA indicam que Brasil pode enfrentar desvalorização acelerada de elétricos usados com tecnologia obsoleta
O Brasil enfrenta crescimento acelerado na frota de carros elétricos, principalmente de marcas chinesas, mas corre o risco de reproduzir problemas enfrentados por mercados mais desenvolvidos: a desvalorização acelerada de veículos usados.
Na China, principal referência global, o cenário já é crítico. Em 2024, um carro elétrico com três anos de uso mantinha, em média, 46% do valor original. No fim de 2025, esse índice caiu para 42%, uma queda de 4 pontos percentuais em um ano. No fim de 2025, cerca de 44 milhões de carros elétricos circulavam pelo país, enquanto as vendas de elétricos usados ultrapassaram 1,5 milhão de unidades no ano.
A pressão sobre os preços está forçando o mercado a se adaptar. Cerca de 80% dos lojistas chineses de veículos usados já recusavam modelos elétricos com mais de cinco anos. A rápida evolução tecnológica é apontada como principal causa desse movimento. A chegada de modelos mais baratos e com baterias mais eficientes reduz o preço dos veículos novos e, consequentemente, aumenta a pressão sobre os modelos que já estão nas ruas. Em 2025, o preço médio dos carros elétricos caiu mais de 10% na China.
O interesse por esses veículos cresce no Brasil. Dados do Google Trends mostram que as buscas por carros elétricos chineses aumentaram 250% nos últimos cinco anos, atingindo o maior volume de pesquisas neste ano.
A redução dos preços dos modelos novos, somada a incentivos fiscais, amplia a diferença entre um veículo novo e outro com alguns anos de uso. Quanto mais rapidamente os fabricantes reduzem preços e incorporam novas tecnologias, maior pode ser o impacto no valor de revenda dos modelos antigos. O Brasil vem recebendo novos modelos elétricos em ritmo acelerado, cenário que pode acelerar a desvalorização.
A Europa também enfrenta pressão similar sobre os valores de revenda, segundo dados da IEA (International Energy Agency), reforçando o padrão global em mercados com frota elétrica consolidada.



