Projeto internacional investiga como práticas religiosas impactam corpo e mente, expandindo estudos já realizados com ioga

Pesquisa internacional examina impacto do canto gregoriano e outras práticas religiosas na saúde mental e física
A Sociedade Internacional para Ciência e Religião (ISSR) iniciou um novo projeto de pesquisa financiado pela Fundação John Templeton denominado “Ciência dos exercícios religiosos e espirituais” (Sorse). A iniciativa tem como objetivo expandir o conhecimento sobre o efeito de várias práticas religiosas sobre o corpo e a mente, conforme informou Fraser Watts, secretário-executivo da ISSR.
Watts é professor visitante de Psicologia da Religião da Lincoln Bishop University, no Reino Unido. A pesquisa segue o modelo já estabelecido com estudos sobre a ioga, aplicando a metodologia científica a outras práticas espirituais.
O canto gregoriano está entre as práticas religiosas selecionadas para investigação. A escolha reflete a história do cantochão, que é monofônico e não possui ritmo no sentido tradicional, diferenciando-se da música convencional.
“Levados por sua linha melódica aparentemente infinita, deixamos de lado, esperançosos, o fardo da mortalidade, do pecado e da culpa, flutuando nas alturas para nos unirmos aos anjos na estratosfera – ou, ao menos, sob as abóbadas de uma igreja ou catedral.”
Essa é a descrição do musicólogo Wilfred Mellers sobre o efeito do canto gregoriano.
O canto gregoriano é reconhecido pela Igreja Católica como o canto próprio da liturgia romana desde o Concílio Vaticano II, na constituição Sacrosanctum Concilium. Historicamente, ganhou importância nas cerimônias litúrgicas católicas, embora sua prática tenha diminuído significativamente nos anos seguintes à implementação das mudanças conciliares.
O projeto da ISSR representa um retorno do interesse científico em compreender como práticas religiosas tradicionais afetam o bem-estar humano, metodicamente estudando suas implicações fisiológicas e psicológicas.



