Estudo da UFRJ analisou milhares de horas de transmissões ao vivo no YouTube em busca de crimes eleitorais

Pastor titular da Igreja Cristã da Aliança em Niterói questiona legitimidade de vigilância sobre liturgias em artigo publicado em portal evangélico.
O pastor Renato Vargens, titular da Igreja Cristã da Aliança em Niterói (RJ) e articulista do segmento evangélico, criticou uma pesquisa acadêmica que monitorou cultos e missas transmitidos pela internet.
O levantamento foi conduzido pelo grupo de pesquisa Passagens, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a organização More in Common, conforme informado em reportagem da Folha de S.Paulo. O projeto analisou milhares de horas de gravações de transmissões ao vivo realizadas por comunidades de fé no YouTube, com objetivo de identificar potenciais crimes eleitorais e menções a figuras políticas nas vésperas do primeiro turno.
Em artigo publicado no portal Pleno.News, Vargens questionou frontalmente a legitimidade da vigilância sobre o ambiente eclesiástico. “Desde quando alguém tem o direito de controlar o que se prega e fala numa igreja?”, escreveu o pastor.
O religioso argumentou que mencionar governantes ou comentar leis à luz das Escrituras não configura infração legal. “Um pastor ou padre que cita um governante, ou mesmo comenta uma lei à luz das Escrituras, não comete crime algum”, afirmou Vargens, ressaltando que a liberdade religiosa precisa resguardar os templos de qualquer tipo de monitoramento.
Vargens levantou questionamentos práticos sobre a transparência do levantamento. O pastor perguntou como os acervos de áudio foram captados, se as lideranças religiosas foram devidamente comunicadas sobre o rastreio e se houve anuência formal das instituições para utilização do material.
O teólogo também questionou os parâmetros metodológicos adotados na pesquisa. “Quem definiu os critérios do que seria ‘crime’ ou ‘menção indevida’?”, indagou Vargens.
Ao encerrar sua análise, o pastor alertou sobre precedentes perigosos que práticas de monitoramento ideológico ou comportamental podem abrir para o futuro da democracia e da autonomia das igrejas no Brasil.



